sábado, 15 de julho de 2017

Dia 15 de julho é celebrado no Brasil o dia do homem. Acho oportuno que haja essa data, assim como existe o dia da mulher. Datas comemorativas nos servem como reflexão. De como as coisas aconteceram, como estão agora e como gostaríamos que fossem no futuro. Poderia falar aqui no quanto essa data nos serve para fazer lembrar com mais força o quanto a desigualdade de gênero (em todos os níveis) ainda é real. Como é difícil para a maioria das mulheres lidarem com tantas situações que as colocam em condições de privação. Poderia falar muito sobre essa desigualdade mas gostaria de aproveitar esse dia do homem para trazer uma reflexão para nós, homens. Gostaria de falar diretamente a você, homem, jovem ou adulto, pensante, artista, vendedor, professor, terapeuta, padeiro, call center, atendente, filho, pai, avô, crente, budista, ativista, de direita, de esquerda, marido, namorado… o ponto que quero chegar é: quanto nossa vida em sociedade melhoraria se conseguíssemos tratar as mulheres em pé igualdade? Já pensaram em como essa luta pela igualdade busca não somente a melhoria na vida das mulheres mas também busca uma melhoria em todo o ciclo de relações nas quais nós homens estamos inseridos diariamente? Uma sociedade mais justa e igualitária só pode ser mais funcional e menos confusa. A manutenção do machismo despende uma quantidade enorme de energia para nós homens nos mantermos em certas condições de privilegio. Essa manutenção, na minha opinião é feita pelos homens por medo das mulheres. Acho que grande parte dos homens tem medo das mulheres, das atitudes das mulheres. Enquanto nós homens poderíamos desfrutar muito mais dessas atitudes mulheres e gozarmos com elas num quociente máximo de parceria, aproveitamento e liberdade. Vejo um grande desperdício de energia que poderia ser direcionada para a criação, para a produtividade e ainda para dar e receber mais afeto. Desde quando chego ao meu trabalho bem cedo até nos fins de semana em um bar, me deparo com situações em que nós homens, temos privilegio em relação às mulheres. São pequenas rotinas, são atitudes de praxe ou de improviso que revelam uma visão de um mundo de mais autonomia para nós, homens. Percebo até naqueles que se dizem mais “evoluídos” um comentário depreciativo para aquela mulher que postou uma foto nua ou para aquela que decidiu que queria ficar com quem ela quisesse, onde e como ela quisesse. Nas rodinhas de conversas masculinas é onde o machismo corre solto. E muitas vezes o sujeito que não concorda com essas “conversas de homem”  pode se tornar o grande antipático. Sinto um grande cansaço por causa dessa falta de consciência de grande parte de nós homens. Acho que esse cansaço vai afetar cada vez mais homens que não estão mais dispostos a continuar com essa falta de parceria com o sexo feminino. Que esse dia sirva para aprender mais sobre igualdade e os benefícios que ela pode trazer. Que sirva para pedir por mais respeito, mais aceitação das diferenças e encará-las como nossas riquezas.