segunda-feira, 3 de setembro de 2018


Ao acordar

ouço músicas 
e elas vem de longe
e cada melodia me encanta 
de um modo estranho
sinto que estou entrando num espaço novo
onde suas mãos dançam lentamente
em minha direção

me viro novamente 
e sua sombra
em silêncio

tambores batem contra os aviões no céu
movo o queixo para te morder
sei que seus mamilos se enrigessem
mexem-se e se excitam

venha comigo
sei de um lugar seguro
onde poderemos viver todos
todos os prazeres que foram adiados

éramos tao jovens para entender
éramos ingenuos demais para saber
vc veio em minha direção 
e foi tudo tao rápido
tardes juntos
noites quentes
manhãs calorosas
a cidade era nossa
e nada nos impedia

nossa casa tem essa luz
a luz do sol que entra de manhã
vejo vc acordar lentamente
sua pele macia na cama
pouco tecido sobre o corpo
sua carne salta

sorriso nos olhos
como poderíamos saber
o que estava por vir
como saberíamos?
se éramos tão ocupados 
em viver pelo gosto

gosto de te ver deitada na cama
quase descoberta
quase sem roupa

a noite toda quente...
acordada
deixo o luz suave entrar pela cortina em movimento
deixo a brisa leve tocar seu corpo descoberto

como se não bastasse 
ter vc a noite toda
quero seu corpo numa moldura
quero vc numa foto 
fotografo vc 
mas prefiro morder vc
não quero dizer nada
nós já sabemos 
e só precisamos do nosso encaixe
nosso encaixe perfeito
porque fazemos bem
e fazemos daquele jeito que sabemos
não estaremos sozinhos
não estaremos sempre juntos
e não precisamos mais do que isso
porque eu sei
e vc também
que temos algo muito bom assim
temos nossa sociedade
temos nosso acordo
nosso consentimento
e nossa magia 
e tudo está entre nós
e se dissolve nos lençóis
e nos encostamos
e perdemos o horário
e sabemos de tudo
e não queremos saber de nada
e sabemos de tudo 
e não queremos saber de nada
amiga minha senta aqui comigo
mas se aproxime devagar
e apenas faça como deve ser
e apenas deixe que tudo corra
com prazer




sou ser em transição
metamorfoseando
ontem eu era crente 
hoje sou ainda mais

Seu perdão


Desculpe babe
Eu estava sentado
Esperando um trem que não existe
Estive tanto tempo deitado na ilusão
Quanto me levantei
Vi a realidade
Desculpe neném
O rio da vida me fez mentir
Por achar que assim seria mais fácil
E por um tempo foi fácil
Me enganei e menti
Principalmente para mim mesmo
E me esquivei dos meus sonhos
Por temer a decepção
Fiz de mim cavaleiro
Andando por aí mascarado
E descobri que é preciso ter coragem
Para viver e ser verdadeiro
É preciso pés no chão
Coragem pulsante
E olhos para o céu


TUDO passa...

nada me pertence

tudo é
im 
     per 
ma 
           nen 
Te


deixa ser 
como será não sei
não há como prever

deixa ser
só o tempo vem dizer
como folhas no chão 
logo as flores virão

deixa ir
a mágoa e o que
 fez ferir

deixa rir
e o riso vem solto
para curar 

coragem é decidir
e se livrar do que
 nos impede de ir


Deixa ir a mágoa e o que faz ferir
Deixar rir que o riso frouxo faz curar
E faz sorrir
Curar e sorrir


Você é um vulcão escorrendo ácidos sonhos selvagens!


o amor é jogo sedutor
que me pega em qualquer lugar
que me joga sem avisar
me invade sem perguntar
me excita na hora de acalmar




você me contou histórias
que até hoje as reinvento
você me contou verdades
que insisto em não acreditar

como um hippie 
diante do sagrado

como engolir um avião
e arrotar sentado


navio em chamas

luzes do elevador
pulsando 
pulsando
décimo terceiro andar

vc ja sabe o que combinamos
passo no corredor

vc está pulsando
pulsando

balançam as chaves lá fora
e as correntes em vc

uma sala fumê
um quadro nouveau
duas velas acesas
vc de joelhos

duas velas, uma prece, a cor da sua pele
duas velas, uma prece, a cor da sua pele

seus olhos são navios
nessa sala bravia
não os mire para mim
ainda não
se veja no chão

deixe-se levar 
te levo para o alto mar 
deixe-se levar
para o alto mar

abra seus lábios um pouquinho
me dê suas mãos  

levante o olhar para mim
vc sabe que pode
vc sabe que deve
sempre confiar em mim

vc sabe que quer
navio em chamas
em alto mar


de vagar, sal e mar

flutuando na sua boca
deslizando no mamilo
seu gosto é de sal e mar
o seu silencio é de brisa

você é macabra
e sua dança é fugaz
qual é o lado da saia
onde entro devagar?


eu flutuo no céu da sua boca
e me dissolvo feito bala de côco


E morrer lentamente...
Como se morre de infelicidade
Um pobre assalariado
Num trabalho indesejado
E morrer num flash...
Como se morre no trânsito
Por descuido ou atraso