sexta-feira, 25 de maio de 2012

Estranho aos olhos, porém comum, muito comum (parte 1)

Um beijo na boca!
Gritou ela, só pedi um beijo na boca! Não é bem assim Marina. Você sabe muito bem da minha situação. Você é meio doida, e vive querendo mais e mais, é impressionante!

Marina conheceu Ivo em um shopping durante uma exposição de cartas antigas do período Brasil Colônia. Ivo estava acompanhado de sua noiva, Estela. Marina olhava-o descaradamente com olhos de convite, com olhos de campeã. Difícil era não olhar para aquele par de olhos verdes em meio ao desinteressante exposto em papéis seculares amarelados em frente aos olhos. Formava-se uma grande parede amarela cheia de documentos. A cada passo dado pelos corredores da exposição era uma espera por ver se um encontrava o outro no próximo corredor. Marina, desrespeitosa e voluptuosa apressava o passo pulando trechos importantes do país, passando por cima de Pero Vaz, cartas reais e letras sacerdotais. Como em um ataque súbito, Ivo desprendeu-se de Estela e demostrando profundo interesse por uma carta da Princesa Isabel saiu em direção ao corredor seguinte, onde estava Marina. Ali estavam eles, lado a lado. Veias subiram, ombros tremiam e um desejo desses que aparecem poucos vezes ao ano. Observando a carta emoldurada, ele fechou parcialmente os olhos e franziu a testa para demostrar profundo interesse pelo papel amarelado. Nesse instante, deixou que as costas de sua mão tocasse as costas da mão de Marina suavemente. Disparate! A mil! Sentiram como dois teenagers, trêmulos de uma energia ainda sem muita explicação até mesmo para as coisas do coração. Mais tarde, Estela percebeu a grande ameaça rondando seu território. Viu Marina olhando para Ivo por segundos suficientes para que o instinto feminino entendesse qual o recado aqueles olhos verdes estavam enviando. Rapidamente, chamou o noivo para comprar o presente da amiga alegando que estava ficando tarde e já havia cerca de 20 minutos que estavam ali. Isso foi tempo suficiente para o casamento dos olhos entre Ivo e Marina.

Ivo sempre teve interesse por antiguidades e cultivava valores tradicionais. Estava certo de seu amor por Estela e sempre cedia aos mimos da linda noiva. Estela era magra, tinha olhos azuis e adorava sair com sua turma de amigos e com os amigos de Ivo. Certa noite enquanto dirigiam-se para um dos bares mais badalados da cidade, tiveram uma séria discussão no carro. A questão não era quem estava certo ou quem estava errado mas sim o descaso que os dois tratavam a problemática. Ninguém estava disposto a ceder, ninguém tinha pressa em resolver. Era mais uma pendência da relação. Dessas que todos os casais têm e preferem deixar para depois. Dessa maneira, discutiram, brigaram e continuaram em direção ao bar, aos amigos, à sociedade… Obviamente, não ficaram relaxados o suficiente para se alegrarem um com o outro na mesa. Cada um pendia para uma conversa e copos de chopp eram trocados de 10 em 10 minutos. Estela, sempre mais atenta do que Ivo percebeu numa fala do noivo que ele estava planejando uma partida de poker na quarta. Em plena quarta feira né Ivo dos Santos! Esbravejou Estela na mesa. O tom irônico deixou Ivo extremamente irritado e tolido em sua liberdade pessoal e ainda ferira sua "moral masculina" frente aos seus amigos que riram muito da cantada de galo de Estela. No entanto, Ivo riu sem vontade e deixou que passasse mais uma vez. Quando pediram a conta, Estela já sentia que teria mais problemas para lidar na volta para casa. Entraram no carro e a discussão foi inevitável, assim como também foi inevitável que cada um fosse dormir em sua própria casa. Carro na garagem, Estela em casa, um pedaço de sanduíche na geladeira, TV ligada numa programação para adulto na madrugada, Ivo resolveu ligar seu laptop e dar uma olhada nas atualizações do facebook. Oh my God! era ela no request de amigos. Mesmo na foto de profile minúscula no cantinho superior esquerdo da tela Ivo reconhecera aqueles olhos fuzilantes. Adicionou a moça, descobriu que se chamava Marina, que tinham poucos ou quase nenhum amigo em comum. A moça era de outro estado. Havia mudado há pouco tempo e estava solteira e parecia muito feliz nas fotos. E digamos, muito saudável também! Marina não estava online e eram quase 3h. As belas se despindo na TV já não despertavam interesse algum em Ivo. Nele, havia um misto de sentimentos nesse momento. Se levantava, tomava um pouco de água, voltava para o laptop, sorria, depois ficava sério em sua pesquisa e outra vez se levantava, andava pelo apartamento. Sério, feliz, preocupado, excitado, ansioso… tudo ao mesmo tempo. Não sabia o que fazer. Preferiu tomar uma ducha e cair na cama.
...continua

quarta-feira, 25 de abril de 2012

Cafeína


sou do tipo que se envolve 
do tipo que sente 
demoro para acordar
e meu batimento não mente

tenho um nó no peito
12h de analogias na mente
durmo rápido e pesado
mas travo bem os dentes

imagino coisas absurdas
com coração adolescente
muita informação à minha volta
está difícil ficar consciente

evito tomar café
essa bebida quente
faz emergir tantas ideias
é como água corrente

sinto meu palpitar acelerar
e seus benefícios decorrentes
meus dedos querem escrever
quero produzir, fazer um repente

os olhos vêem o que não via
a palpitação crescente
os sentimentos dão diretrizes
à minha cabeça ardente

cafeína minha assistente
mostre seu poder benevolente
até o fim do expediente
quero o mundo mais atraente

domingo, 18 de março de 2012

There is no heroes, so I can fly.

Um ano sem publicar aqui! Voltei.

E o que acontece em um ano?

Bem, muitas mudanças aconteceram nesse tempo que fiquei fora daqui. E cada mudança real vem acompanhada de atitudes. Muitos questionamentos me fizeram buscar respostas e provocaram muita reflexão em mim nesses últimos meses. Entendi por exemplo, que é importante estarmos passando por mudanças, porque isso é o sinal da nossa evolução. Quando não estamos passando por mudanças que nos impele para nosso propósito de vida, é um sinal que não entendemos algo que nos fora oferecido pela vida.

O karma fala disso, uma vivência proposta pelo universo para que nós possamos evoluir. A lei da evolução é real. Cada um de nós estamos em um caminho de transformação e cabe apenas a nós mesmos assumir cada desafio e tentar transpô-lo. Desde nosso nascimento passamos por períodos de tomada de consciência, de busca por liberdade, e de busca por felicidade. Essa é a nossa dura vida na terra. Isso acontece porque somos ainda imperfeitos apesar de sermos parte de uma perfeição. Somos tortos porém parte de um projeto reto e perfeito. A única maneira de entrarmos em harmonia com esse propósito de perfeição, é buscarmos um caminho de luz dentro de nós mesmos. A partir daí, nosso maior desafio se torna conhecermos a nós mesmos e desenvolver nossa personalidade para que ela seja cada vez mais próxima do nosso EU que é perfeito por natureza divina. Nós temos dentro de nós mesmos toda a luz e perfeição que precisamos para sermos plenos. Isso nos coloca diante de um grande desafio: desconectarmos do mundo material e liberar o fluxo para que o EU possa nos libertar da inconsciência. Trilhando esse caminho, podemos entender por que sofremos ou por que existem tantas coisas ruins acontecendo conosco e em todo o mundo. Nós somos como centelhas divinas que podem estar ou não brilhando. A tendência do EU é dinâmica e tem força evolutiva enquanto a nossa identificação com a matéria é inerte e nos paralisa. Quando entendemos isso, percebemos que a dor e o sofrimento tem uma grande utilidade, uma vez que tira o ser humano da apatia e o induz a concentrar-se, a refletir e a interiorizar-se perguntando o porquê das coisas ruins que acontecem. Só a dor nos ensina o desapego, o sacrifício e nos induz ao caminho para a verdadeira felicidade e para a verdadeira liberdade. Esse caminho é árido e na maioria das vezes, solitário. Porém, precisamos ter a revelação da grande realidade luminosa que existe por trás de toda essa dificuldade. Em um momento de sofrimento, de provação, devemos nos perguntar; por que sofro? Como sofro? O que essa dor quer me ensinar? Acredito que não exista uma maneira de libertarmos do sofrimento a não ser trilhando esse longo e árduo caminho. Assim, aprendemos a "colocar a dor no seu lugar". Não existe liberdade não condicionada assim como não existe felicidade plena. Tudo isso são estados de consciência.

O universo é perfeito e nós somos parte dele. Tudo acontece em perfeita harmonia no universo, basta observarmos a natureza ou os astros no céu. Isso me leva a acreditar que o sofrimento é um momento de não compreensão, um momento de ignorância do ser humano. Alguma coisa está sendo dita pelo universo através dessa dor. Alguma mudança se faz necessária para evoluirmos. Vejo a dor como um sintoma ou sinal de alarme que nos avisa que algo deve ser modificado para crescermos. Tagore diz que ..."quanto mais fundo te escavar a dor, tanto mais alegria poderás conter. Acaso a madeira do alaúde que acaricia teu espírito não foi escavada pela faca?"