Um beijo na boca!
Gritou ela, só pedi um beijo na boca! Não é bem assim Marina. Você sabe muito bem da minha situação. Você é meio doida, e vive querendo mais e mais, é impressionante!
Marina conheceu Ivo em um shopping durante uma exposição de cartas antigas do período Brasil Colônia. Ivo estava acompanhado de sua noiva, Estela. Marina olhava-o descaradamente com olhos de convite, com olhos de campeã. Difícil era não olhar para aquele par de olhos verdes em meio ao desinteressante exposto em papéis seculares amarelados em frente aos olhos. Formava-se uma grande parede amarela cheia de documentos. A cada passo dado pelos corredores da exposição era uma espera por ver se um encontrava o outro no próximo corredor. Marina, desrespeitosa e voluptuosa apressava o passo pulando trechos importantes do país, passando por cima de Pero Vaz, cartas reais e letras sacerdotais. Como em um ataque súbito, Ivo desprendeu-se de Estela e demostrando profundo interesse por uma carta da Princesa Isabel saiu em direção ao corredor seguinte, onde estava Marina. Ali estavam eles, lado a lado. Veias subiram, ombros tremiam e um desejo desses que aparecem poucos vezes ao ano. Observando a carta emoldurada, ele fechou parcialmente os olhos e franziu a testa para demostrar profundo interesse pelo papel amarelado. Nesse instante, deixou que as costas de sua mão tocasse as costas da mão de Marina suavemente. Disparate! A mil! Sentiram como dois teenagers, trêmulos de uma energia ainda sem muita explicação até mesmo para as coisas do coração. Mais tarde, Estela percebeu a grande ameaça rondando seu território. Viu Marina olhando para Ivo por segundos suficientes para que o instinto feminino entendesse qual o recado aqueles olhos verdes estavam enviando. Rapidamente, chamou o noivo para comprar o presente da amiga alegando que estava ficando tarde e já havia cerca de 20 minutos que estavam ali. Isso foi tempo suficiente para o casamento dos olhos entre Ivo e Marina.
Ivo sempre teve interesse por antiguidades e cultivava valores tradicionais. Estava certo de seu amor por Estela e sempre cedia aos mimos da linda noiva. Estela era magra, tinha olhos azuis e adorava sair com sua turma de amigos e com os amigos de Ivo. Certa noite enquanto dirigiam-se para um dos bares mais badalados da cidade, tiveram uma séria discussão no carro. A questão não era quem estava certo ou quem estava errado mas sim o descaso que os dois tratavam a problemática. Ninguém estava disposto a ceder, ninguém tinha pressa em resolver. Era mais uma pendência da relação. Dessas que todos os casais têm e preferem deixar para depois. Dessa maneira, discutiram, brigaram e continuaram em direção ao bar, aos amigos, à sociedade… Obviamente, não ficaram relaxados o suficiente para se alegrarem um com o outro na mesa. Cada um pendia para uma conversa e copos de chopp eram trocados de 10 em 10 minutos. Estela, sempre mais atenta do que Ivo percebeu numa fala do noivo que ele estava planejando uma partida de poker na quarta. Em plena quarta feira né Ivo dos Santos! Esbravejou Estela na mesa. O tom irônico deixou Ivo extremamente irritado e tolido em sua liberdade pessoal e ainda ferira sua "moral masculina" frente aos seus amigos que riram muito da cantada de galo de Estela. No entanto, Ivo riu sem vontade e deixou que passasse mais uma vez. Quando pediram a conta, Estela já sentia que teria mais problemas para lidar na volta para casa. Entraram no carro e a discussão foi inevitável, assim como também foi inevitável que cada um fosse dormir em sua própria casa. Carro na garagem, Estela em casa, um pedaço de sanduíche na geladeira, TV ligada numa programação para adulto na madrugada, Ivo resolveu ligar seu laptop e dar uma olhada nas atualizações do facebook. Oh my God! era ela no request de amigos. Mesmo na foto de profile minúscula no cantinho superior esquerdo da tela Ivo reconhecera aqueles olhos fuzilantes. Adicionou a moça, descobriu que se chamava Marina, que tinham poucos ou quase nenhum amigo em comum. A moça era de outro estado. Havia mudado há pouco tempo e estava solteira e parecia muito feliz nas fotos. E digamos, muito saudável também! Marina não estava online e eram quase 3h. As belas se despindo na TV já não despertavam interesse algum em Ivo. Nele, havia um misto de sentimentos nesse momento. Se levantava, tomava um pouco de água, voltava para o laptop, sorria, depois ficava sério em sua pesquisa e outra vez se levantava, andava pelo apartamento. Sério, feliz, preocupado, excitado, ansioso… tudo ao mesmo tempo. Não sabia o que fazer. Preferiu tomar uma ducha e cair na cama.
...continua
...continua
cadê a continuação?
ResponderExcluirEssa história já tem fim.
ResponderExcluir