quinta-feira, 25 de agosto de 2016


o amarelo infinito
em cada fim do dia
e a vida passa ligeira
embora o tempo
caiba em nossa mão

quarta-feira, 3 de agosto de 2016

Sob a luz dos Pireneus
Você e eu abraçados 
Força misteriosa
Sinergia natural incensária
Nós dois
Nos encontramos
Nos perdemos
Nos ganhamos 
Força bruta que assusta casais
E seguimos mudando, movendo 
Como se move a vida
Foram-se os wayfares
E você me ensinou canções
Cantei até ficar rouco
Cantei para você
E você dançou misteriosamente para mim
E cantamos em duo
Sumiram os alargadores
E testamos limites
Ficamos enfeitiçados pela luz do sol 
Ficamos inebriados sob seu calor
E com aroma de sexo
Signos de fogo
E dançamos perto da chama a noite toda
E nos queimamos
E gritávamos de dor
E de prazer
Dançamos e jogamos 
1 a 1
Nós 2
Porque aquilo que nos mata
Também nos excita
E fizemos assim, devagar
De mãos dadas nos matando
E nos sentimos tão vivos 
Porque quando vimos o sangue
Nos sentimos em chama
E não coube em nós 
A experiência de viver, de existir
Olhávamos um para o outro
E não havia explicações 
Apenas a vida ao máximo
Vivida e compartilhada
Sob a luz do sol nos Pireneus


quarta-feira, 29 de junho de 2016

O que há de melhor

Pesquisei nos meus melhores sentimentos
Investiguei qual seria o meu sonho delicioso
Mergulhei nos alicerces da minha honra
E ataquei com força as minhas barreiras

Lá no fundo
Eu vi você
Onde está o que é verdade
Está você

Eu vi você
Na clareza das águas
De um lindo poço

Descobri você num mar límpido
Onde se encontram os tesouros
Onde estão escondidas as pérolas

Depois de toda vaidade
De toda loucura
De todas as máscaras que colocamos ao passar dos anos

Depois de tudo e quebradas essas paredes
Eu vi você

Preste atenção ao amor 


 O amor é a maior patrimônio do homem. Ele vem em várias roupagens. Aparece de maneiras improváveis. O amor pode ser despertado, pode ser sentido, pode ser transmitido, pode ser doado… Ele é energia circundante que enfeita a vida. Amar e ser amado é muito bom. Todos precisam dessa troca. O amor correspondido faz florescer vida e alegria dentro de uma casa. Uma pessoa que se sente amada demonstra segurança e está propensa a exibir virtudes e assumir compromissos. O medo de amar está ligado ao medo de não ter esse amor correspondido. E não ser correspondido é algo comum, entre nós, seres humanos (tentando ser mais humanos). Às vezes dar amor é algo que exige atenção. Nem sempre é algo que flui naturalmente sem nenhum tipo de observação, mesmo que miúda. Nem sempre o amor oferecido é compreendido. Também é preciso se atentar ao outro no sentido de “ler” o outro. Ao tentar compreender um pouco mais do outro, aí já encontra-se o amor. Uma vez feita a observação do outro, como um gatinho curioso, tenta-se aprender sobre o ser a ser amado, nesse momento a relação sobe para um estágio de privilégio que só tem os relacionamentos mais maduros e consistentes. Nesse ponto há no relacionamento um olhar mais profundo sobre o outro, um enlace mais firme e voluntário, uma conexão interna com o outro onde as trocas passam a não ter palavras que as expressem, se não “amor”. Por ser algo tão alto e profundo, o amor é o que temos de maior relevância. É o que há de mais digno, majestoso, bonito, gostoso e elevado. É o que nos move harmoniosamente em direção ao que nos atrai e nos dá força e inspiração para a conquista do alvo.

Não buscar entender como o outro se sente amado pode fazer duas pessoas cheias de amor não compartilharem o que tem. E mesmo que um ceda o seu amor, esse pode ser desperdiçado ao não ser compreendido.
 

sexta-feira, 29 de abril de 2016

Solidão de abril 

quando acordei do meu longo sono
estava sobre uma pedra cinza
ela é grande, fria e distante
e ainda procuro braços para descer

na solidão tenho encontrado meu sustento
garanti meu selo de qualidade
acho que foi um adendo da minha idade
ou apenas uma linda medalha do tempo

de mãos dadas com você
dessa grande avenida até o vilarejo
uma estrada veloz e violenta
até casinhas lindas e violetas

a face cansada no espelho
revela mais uma noite mal dormida
na grande cama tem desejo e esperança
e muitas vontades de corpos unidos em dança

de mãos dadas, seguimos
e todos os sentimentos estão à tona
das ruas cinzas e frias de Berlim
às Ramblas floridas de Barcelona

na minha pedra da solidão
grito alto e o som volta para mim
um veludo apertando a garganta
 feridas cobertas de leve cetim

já não contenho as ganas por um sorriso seu
quero uma pausa no seu tempo acelerado
quero os segredos dos seus sonhos velados
tenho sede daquele seu olhar interessado

procuro em outdoors sinais que me dêem direção
corro pelas ruas, praças, parques e mercado
nessa confusão pareço estar perdido na cidade
o que faço para ter de novo seu olhar delicado 

quem sabe a minha crença no amor
não passe de um um desejo doce e errado
ilusão boba que devia ter ficado na infância
só, preciso aprender a me sentir amado

sexta-feira, 22 de abril de 2016

14 anos

Um mistério me aguarda no fim da rua
Um garoto solitário correndo
Uma banda esquecida num pequeno quarto
Um pátio triste de um colégio