sexta-feira, 29 de abril de 2016

Solidão de abril 

quando acordei do meu longo sono
estava sobre uma pedra cinza
ela é grande, fria e distante
e ainda procuro braços para descer

na solidão tenho encontrado meu sustento
garanti meu selo de qualidade
acho que foi um adendo da minha idade
ou apenas uma linda medalha do tempo

de mãos dadas com você
dessa grande avenida até o vilarejo
uma estrada veloz e violenta
até casinhas lindas e violetas

a face cansada no espelho
revela mais uma noite mal dormida
na grande cama tem desejo e esperança
e muitas vontades de corpos unidos em dança

de mãos dadas, seguimos
e todos os sentimentos estão à tona
das ruas cinzas e frias de Berlim
às Ramblas floridas de Barcelona

na minha pedra da solidão
grito alto e o som volta para mim
um veludo apertando a garganta
 feridas cobertas de leve cetim

já não contenho as ganas por um sorriso seu
quero uma pausa no seu tempo acelerado
quero os segredos dos seus sonhos velados
tenho sede daquele seu olhar interessado

procuro em outdoors sinais que me dêem direção
corro pelas ruas, praças, parques e mercado
nessa confusão pareço estar perdido na cidade
o que faço para ter de novo seu olhar delicado 

quem sabe a minha crença no amor
não passe de um um desejo doce e errado
ilusão boba que devia ter ficado na infância
só, preciso aprender a me sentir amado

Nenhum comentário:

Postar um comentário