- Não! Não usarei a máscara que você me deu!
disse ele com olhar fixo
ela desfocou a face dele por um instante
tudo se embassou...
mirou em local nenhum (se é que isso é possível...oftalmologistas)
de maneira que não houvesse nenhum objeto identificável
de modo que seu cérebro não precisasse ocupar-se com nada real
ou com qualquer informação que concorresse com o acolhimento daquela afirmação
ela poderia fechar os olhos
mas isso seria resignação
como alguém que acolhe um corpo estranho
e acaba por conviver com o visitante>morador
recebeu a frase com garra
com ganas de encontrar dentro de si rapidamente uma solução razoável
um rearranjo para a nova condição
atirou todo o peso da recém inaugurada frase
em fórmulas matemáticas que aprendera no decorrer da vida
todo o processamento mental ficou lento
ainda não havia reconhecimento para as informações
sentiu um frio nos braços
e um arrepio que lhe subia pela barriga
enrigecia seus mamilos
quis abraçá-lo de súbito
olhava, e via nele alguém grande agora
imaginou-se deitada, descansando entre os braços dele
lembrou-se que ele estava ali
reconheceu-o
reconheceu-se
o abraçou com necessidade, medo e amor
e caminharam juntos por toda a tarde
em silêncio
em paz
segunda-feira, 25 de maio de 2009
Assinar:
Postar comentários (Atom)
Nenhum comentário:
Postar um comentário