quinta-feira, 4 de junho de 2009

equipou a bicicleta naquela manhã com todos os acessórios comprados na tarde anterior
limpou o banco com uma velha toalha que permanecia ali por anos
testou os freios e calibrou os pneus com dificuldades usando a bomba de encher bola
era uma bicicleta velha, claro, mas daria a ele a capacidade de transposição
com ela podia ir além, sentiria o cheiro da manhã do outro lado da cidade
o vento na face, o sol na pele, alta velocidade, sorriso aberto, ladeira abaixo
deixou que o acaso guiasse a bicicleta e pedalava incessantemente
subidas, descidas, bosques, pastos, jardins, ruas estreitas, frias, arejadas...
não há medo, não existia medo, ali não existe tempo, não havia ansiedade
o sonho era ali... e os pedais giravam com mais e mais velocidade
e a distância aumentava, as pernas se tornavam mais fortes
e a vontade de ir além era cada vez mais maior
avançava, fluía, deslizava
como o caminho do rio, como a vibração harmônica de um acorde em sétima maior
como se levantar, vestir a roupa de domingo e seguir para liturgia
seguia como os pássaros em bando, retornando ao final da tarde
o sonho estava ali... e os dedos lançavam mão dos freios
uma alma intensa, sabia exatamente como se chegava ao caminho da paz e do contentamento

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